"Pois viver deveria ser- até o último pensamento e derradeiro olhar- transformar-se." L. Luft
 
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Escolhedores Infinitos

Escolhedores Infinitos:

- Este é um mundo de ricas oportunidades que se apresentam para todos, a todo momento!
Este é um ponto de vista, uma visão de mundo, que nos faz entrar em movimento, que nos faz sair da cama cedo, indo de encontro a tudo de bom que nos espera.

- Este é um mundo de poucas oportunidades destinadas a poucos privilegiados!
Este é outro ponto de vista, outra visão de mundo, válido também, porém, que nos faz ter o desejo de ficar embaixo das cobertas, tristes, à meia luz, uma vez que o Sol não nasce para todos.

O mundo, ponto de partida para a formação destes possíveis pontos de vista, é o mesmo, porém internamente damos significados ao que percebemos de formas tão diferentes que este mesmo mundo pode "ser visto" de formas diferentes.

Um copo de água pela metade é o mesmo que sugere para um que ele esteja quase cheio e para outro que ele esteja quase vazio. E reagimos a isto, como reagimos a tudo. Ficamos tristes ou felizes, motivados ou não, com o que percebemos. E assim, tomamos nossas decisões. Saímos ou não da cama cedo!

Como se pode notar, cada um de nós olha para o mundo, o mesmo mundo, assim como no caso do copo de água pela metade, e determinamos o que ali vemos, e reagiremos a isto. Cabe então a pergunta: - Existe a verdade, ou a verdade é o que percebemos?

Esta é uma questão complexa, que acompanha o homem há muito tempo. Porém, podemos sim lidar aqui com questões práticas que determinam quem nós somos. Podemos pensar sobre o processo pelo qual fazemos nossas "opções" de visão de mundo. Repare a importância disto, veja que quando se está com sede, é melhor estar diante de um copo de água quase cheio do que de um quase vazio, assim como é melhor ter motivação para sair da cama cedo.

É fato de fácil observação que a todo momento estamos dando significado a tudo o que percebemos. Assim como quando estamos dirigindo um carro de noite e a visibilidade não é boa, e a cada mancha no asfalto tentamos definir se aquilo é um buraco, uma pedra ou uma simples mancha mesmo, estamos a todo momento dando sentido para um olhar, uma nova oportunidade de emprego, uma dor inesperada... E reagimos imediatamente à esta visão de mundo que formamos.

Óbvio que nossas percepções nem sempre se aproximarão da "verdade" dos fatos. O que parecia ser uma mancha pode ser na realidade uma pedra, assim como aquele olhar que eventualmente percebemos como se fosse de desinteresse, ou até mesmo de desdém, pode ser "na realidade" de simples timidez (E se bobear já se foi a paquera...). Isto pode acontecer devido a possuirmos informações insuficientes ou ruins, mas pode ser mais complexo e perigoso do que isto!

No processo evolutivo do homem, fisiologicamente partimos de um sistema nervoso cerebral simples, a amígdala, para depois constituirmos estruturas mais complexas e precisas de avaliação, o córtex. Isto foi necessário para a perpetuação da espécie, para que a resposta fosse a mais rápida possível e o homem assim sobrevivesse, fugindo rapidamente ou atacando. Esta resposta não poderia ser muito complexa e conseqüentemente precisa, pois isto demandaria tempo precioso. Em nosso sistema nervoso coexistem estas duas formas de processamento da percepção. As amígdalas promovem uma resposta instintiva e o córtex é mais demorado, porém mais preciso em suas avaliações.

Isto explica certos medos irracionais como medo de barata ou reações involuntárias nossas no cinema ou na montanha russa. Mesmo que o córtex insista em dizer que não há perigo, as amígdalas disparam rapidamente o alarme e o corpo responde instantaneamente.

Outra característica importante de funcionamento da amígdala é que ela funciona comparando rudemente vivências anteriores, ou seja:"-Não vi direito o que é aquilo, mas é amarelo é preto, faz barulho...Opa! É abelha feroz como aquela que me picou um dia no passado...". Pronto, mesmo com uma comparação rudimentar o corpo já reagiu e já fugiu, mesmo que esta coisinha amarela e preta que faz barulho fosse uma simples embalagem plástica de bala amassada.

Desta forma é comum não só reagirmos a embalagens de bala, mas também reagimos a comportamentos que rudemente se comparam a sermos abandonados, traídos, machucados, humilhados e etc, como eventualmente fomos no passado e nem nos lembramos mais conscientemente. Ao menor sinal de perigo, formamos uma visão de mundo negativa e reagimos em fuga ou agredimos. Neste caso, não por uma informação insuficiente ou ruim, como no caso do carro em noite de pouca visibilidade, mas por "medo", e inconscientemente reagimos e fazemos opções "erradas".

Independente da verdade existir ou se ela é o que percebemos parece-me certo que ter claro o que se acredita como verdade é um fator importantíssimo para se viver bem. Saber de si e do mundo auxilia em nossas escolhas diárias que nos formam enquanto pessoas.

Gostemos ou não somos o resultado de nossas escolhas feitas, sejam elas conscientes ou não. Como muitas de nossas escolhas são feitas sob uma visão de mundo formada rapidamente e com o medo de pano de fundo, a vida nem sempre parece que passa pelas nossas mãos, dando a impressão de que somos levados ao seu sabor. Porém a vida será o que fizermos dela dentro de nossos limites (Que por vezes também são determinados com base em avaliações medrosas).

Falamos até aqui de copos de água, abelhas, manchas no asfalto, porém há coisas mais instigantes neste mundo ao qual damos constantemente sentido:
- Quem somos nós? Por que estamos aqui? De onde viemos e para onde vamos? O que é a morte? Qual o significado de tudo isto?

Nascemos com uma carga genética, dentro de um contexto familiar mais ou menos amoroso, inserido em um contexto social maior que determina questões econômicas e sociais... Mas ainda assim não é culpa dos outros se ficarmos sob as cobertas ao acordarmos, esta será uma opção possível frente a um olhar possível sobre o mundo. Sempre é possível colocar algo de belo, algo de digno, alguma cor no projeto de quem pretendemos ser. "Pois viver deveria ser- até o último pensamento e derradeiro olhar- transformar-se." Lya Luft.

Não é fácil o trabalho, mas algumas dicas são válidas:
- Auto-motivação: É preciso que esta seja um processo de dentro para fora, com otimismo e metas claras. Não espere dos outros o que é trabalho de cada um.
- Auto-consciência: Saber de si, de como se vê o mundo, não confundir o seu mundo com o alheio, ir no limite na busca de quem se é.
- Empatia: Colocar-se no lugar do outro, saber o que move também quem está a seu lado.
- Tolerar as frustrações, lidar com as emoções...

Não importa o que somos, qual nossa profissão, o que conta é ser do tamanho da nossa dignidade e do valor que nos damos, do tamanho do nosso sonho.