"As bases conceituais e estruturais deste trabalho em Psicologia "
 
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Psicologia Humanista Existencial

Este texto não tem a pretensão de ser uma teorização sobre a Psicologia, identificando profundamente as bases filosóficas e científicas que a sustentam. A intenção é tecer comentários em linhas gerais que entendo muito importantes para quem decide tratar seu psiquismo (Que vem do grego psyché: A Alma, o espírito, a mente.).

Para começar preciso dizer que creio que o correto seria usar sempre o termo psicologia no plural, Psicologias, para se fazer referência à área do conhecimento humano que lida com a psique. Isto porque o entendimento do Homem e suas questões (Filosofia; Visão de Mundo.), que é a base do “fazer psicologia”, é muito diferenciado dentre as diversas linhas de psicologia, e isto determina profundas diferenças nas práticas destas.

É de extrema importância que a pessoa candidata a um processo terapêutico se identifique com a “visão de mundo” em que se apóia a linha da psicologia que ela estará sujeita. É como na religião. Existem diversas crenças, e estas apontam práticas muito diferentes. Se você não acredita no que prega determinada religião, ou seja, se a visão que ela tem sobre a re-ligação com um determinado Deus não lhe é compatível, você jamais se sujeitará às suas práticas (Jejuns, penitências, rituais e etc.).

Identificar a psicologia como Humanista e Existencial tem a seguinte visão de mundo, que leva a práticas bem distintas de outras linhas.

A adoção da denominação Humanista tem como intenção tornar a Psicologia mais “humana”. Pode parecer uma redundância, pois a Psicologia trata do próprio ser humano, no entanto em seu princípio, buscando se adaptar a um modelo de ciência empírica vigente na época, ela procurou: Descobrir, descrever, explicar e predizer as ocorrências do universo humano. Para tanto ela identificou o homem como um ser que pode ser padronizado, acreditando que frente às mesmas situações todos os seres respondem de forma semelhante.

Laboratórios foram utilizados, testes psicológicos aplicados visando medir a inteligência e mapear emoções, animais serviram de base para o entendimento humano... Tudo com a intenção de reduzir o homem a um modelo, um padrão.

Em reação a este modelo determinista, veio o que se chamou de segunda onda, através de Sigmund Freud, com a Psicanálise. Este modelo, com uma olhar da medicina, partiu de um visão doentia de homem, ser este movido por necessidades instintivas de prazer e agressão, necessitando de restrições e sublimações de sua natureza animalesca, o que o levaria a uma inevitável frustração, infelicidade e mal estar.

Tanto o primeiro modelo, o da Psicologia Experimental, como o da Psicanálise, representam avanços significativos na forma de se entender o Homem, porém, se distanciaram deste, e o Humanismo então faz referencia a este retorno, a esta valorização.

Apoiado no movimento filosófico de mesmo nome, a valorização do humano é o conceito central e assim a Psicologia Humanista privilegia capacidades e potencialidades características e exclusivas da espécie humana. Valoriza-se então a criatividade, o amor, o crescimento, a satisfação, a auto-realização, a transcendência do ego, autonomia, identidade, responsabilidade, saúde... O Homem não é mais visto como somente fruto de condicionamentos ou instintos animalescos, mas é fruto de sua vontade, de sua determinação e autoconstrução e se baseia em seus valores, idéias e afetos.

Por sua vez, a denominação Existencial visa auxiliar o Homem nesta sua autoconstrução através da análise do existir.

Jean P. Sartre, um dos filósofos importantes do movimento existencialista, aponta que “o homem está irremediavelmente preso à sua liberdade”. O Homem é fruto de suas opções e é ele que tem o poder e responsabilidade de dar sentido à sua existência.

Com este olhar, não existe o mundo único, de todos, mas sim as representações que damos a este. Nossas percepções e interpretações da realidade, sempre distintas, nos levam à uma existência específica. A Psicologia Existencial visa então auxiliar o individuo a responder as perguntas:
- O que espero da vida?
- O que a vida tem direito de esperar de mim?
- O que eu estou fazendo para atender a uma e outra expectativa?

Concluindo, na Psicologia Humanista Existencial como a concebo, o indivíduo não é paciente (-Pessoa que padece; doente. - Resignado, conformado. -Que persevera aturando a continuação de uma tarefa lenta e difícil.), mas sim sujeito ativo e valorizado em suas potencialidades humanas positivas, que o colocam como construtor de sua vida.

Se você espera da Psicologia um modelo médico, onde você será orientado de forma padronizada quanto ao que fazer na vida, a Psicologia Humanista Existencial não será adequada para você.

Caso você entenda o homem como um ser exclusivamente determinado por seus instintos e condicionamentos, e sendo assim, a Psicologia o auxiliará lhe dando os estímulos certos para reprimir estes instintos, a Psicologia Humanista Existencial não será adequada para você.

Porém, se você valorizar os potenciais humanos na construção de quem se é com profunda liberdade, a Psicologia Humanista Existencial me parece muito adequada para você.