"Penso, logo existo". Ou: "Existo, logo penso, sinto, ajo".
 
line decor
 
line decor
   
Integridade do Pensar, Sentir e Agir

“O homem é um ser racional’. “Penso logo existo”. São frases que apontam a valorização do aspecto mental em nossa espécie.

Podemos então afirmar que somos o que nós pensamos que somos?

Não creio que seja tão simples assim, afinal, infelizmente, nem sempre somos da nossa opinião. Ou seja, acreditamos em certas coisas, como ser corajosos, compassivos, ativos, construtivos, tolerantes, amorosos, humildes... Nos vemos assim, gostamos de nos ver assim, porém, e um porém costuma negar o que foi dito antes, por vezes fazemos bem diferente destas nossas crenças e, fugimos dos desafios, ou somos agressivos, impacientes, destrutivos, ou preguiçosos, ou arrogantes, ou cheios de mágoas, medos ódios... Bem diferentes da opinião que temos de quem devemos ser.

Nossos aspectos mentais, racionais, poderosíssimos na construção de quem somos nós, não são soberanos. Por vezes nos sentimos como se fôssemos seqüestrados pelas nossas emoções. É o que se chama de seqüestro emocional por quem estuda Inteligências Múltiplas.

Ao lado da mente, nossas emoções são poderosas também na constituição de quem somos, e elas também nem sempre são da nossa opinião. Estamos todos sujeitos à oscilações de humor e a atitudes emocionais que não aprovamos totalmente. Emoção significa: “O que nos coloca em movimento, em ação para resolver algo”. E este movimento é geralmente iniciado independente de nossa vontade racional.

Em nosso corpo, nossa herança animal, lida com os eventos da vida, práticos ou subjetivos, simples ou complexos, como se fossem uma questão de sobrevivência, nos colocando frente a estes com uma atitude de atacar ou fugir. Foi assim que sobrevivemos. Não porque somos a espécie mais rápida, ou forte, nem a mais esperta, como podemos notar com o que fazemos com o planeta e nossos semelhantes, mas porque somos os medrosos mais sofisticados que existe.

Aspectos mentais e emocionais estão profundamente entrelaçados e sustentados pelo corpo, principalmente através do cérebro. O raciocínio, a memória, a percepção e mesmo as emoções são estruturadas bioquimicamente através de complexas redes neurais. Não haveria nada disso sem a química, não existiríamos como nos conhecemos se não fossem nossos corpos, que interferem em quem somos nós, de acordo com sua composição e organização.

A separação de aspectos físicos, mentais e emocionais, inclusive com ciências próprias que os estudam, é puramente didática. Somos um todo. A Psicologia desta forma não deve se deter ao psiquismo entendido somente como processos mentais. Creio que ela deva buscar a integridade de quem a procura, ou seja, o alinhamento do que se pensa, do que se sente, do que se faz. Um aspecto inevitavelmente interfere no outro. Cuidar do corpo é cuidar da mente e das emoções. Cuidar das idéias qualifica emoções, que traz benefícios para o corpo... E assim por diante.

Buscar este tipo de integridade com o tempero picante de nossas questões existenciais (Quem somos? De onde viemos e para onde vamos? O que esperar da vida? O que ela pode esperar de nós?...) é realmente um grande desafio, uma aventura épica, mas o contrário disto, viver desalinhado no que se pensa, sente e faz, o que será?