"A corrente tem a força do seu elo mais fraco".
 
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Meu corpo nem sempre tem as mesmas idéias que eu.

No texto “Integrando o pensar, o sentir e o agir” deste setor de psicologia do site, expus minha idéia sobre da importância de não nos entendermos somente como seres racionais, e não vivermos a separação didática de mente, corpo e alma como se esta fosse real. Somos um todo integrado sistemicamente e, na prática, não é possível nos dividirmos nestes nossos aspectos e lidarmos apenas com um deles. Alterar uma das partes implica necessariamente alterar as outras, e somos mais do que a soma delas, somos uma forma específica de organização e soma deslas.

Recentemente vi um filme muito interessante onde este tema de integração sistêmica foi tratado de forma muito sensível. O filme chama se: “A menina no país das maravilhas” (Pheobe in the wonderland.).

É a estória de uma garota magnífica (Elle Fanning, atriz magnífica também.), que sofre por ser diferente. Estas suas diferenças são manias e compulsões, que ela tenta desesperadamente evitar. Ela não consegue por exemplo evitar de cuspir em seus amigos de escola, falar coisas inadequadas, ou ter que realizar uma série de atividades sem sentido e compulsórias.

Longe de ser uma má pessoa, pelo contrário, é uma criança magnífica e que inclusive tem consciência de suas atitudes inapropriadas, ela sofre com isso tudo. Ou seja, sua mente lhe aponta o “caminho correto”, mas ela não consegue trilhá-lo.

Há também no filme uma crítica a como a sociedade trata as diferenças, inclusive na escola, que tenta castrar qualquer iniciativa fora do “gabarito”. O que ajuda esta garota é o teatro, especificamente a peça Alice no País das Maravilhas. Como a Alice, ela tem que se resignificar a todo instante, pois o mundo à sua volta é muito estranho para ela controlar e lidar com os problemas de se ser diferente.

A garota do filme sofre na realidade de uma síndrome chamada Tourette. É uma doença neurológica e neuroquímica que causa tiques involuntários e que pode estar associada a coprolalia (Falar coisas inapropriadas involuntariamente), obsessões, compulsões e déficit de atenção.

Sou psicólogo, acredito fortemente no poder da psique (Mente, emoções, alma) como determinante de quem nós somos, mas este filme aborda de forma bastante clara o quanto o corpo é a nossa base e não pode ser deixado de lado. Acredito nisso também.

Depressões, vínculos excessivos com emoções e sentimentos (Medo, agressividade e etc.), manias, tiques, compulsões, oscilações de humor infundadas, hiperatividade, desmotivação, dificuldades de aprendizado... Isso tudo faz parte do que a psicologia trata, mas é preciso levar em consideração a integridade Mente, Corpo e Alma. Negar o corpo seria negar o ser humano como um todo.

A menina do filme, após ter consciência do que ela estava exposta por causa desta síndrome, pode reorientar  a sua vida, pois ampliou o conceito de si mesma para além de sua mente (razão). Ela incluiu seu corpo neste conceito de si e pode responder de forma mais ampliada a sua pergunta: Quem sou eu?

Por estas razões tenho os médicos e psiquiatras como parceiros. Claro que me refiro a profissionais que tratem a pessoa, não a doença. A idéia é tratar o homem que tem a ferida, e não o homem da ferida.